acf domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home2/fabbof55/public_html/wp-includes/functions.php on line 6170A extrema desigualdade de riqueza sinaliza uma desestabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global<\/strong><\/p>\n\n\n\n David Tal, editor, Futurista da Quantumrun Foresight. Tradu\u00e7\u00e3o autorizada para FABBO Futuros.<\/em><\/p>\n\n\n\n Em 2014, a riqueza combinada das 80 pessoas mais ricas do mundo igualou a riqueza de 3,6 bilh\u00f5es de pessoas (ou cerca da metade da ra\u00e7a humana). E at\u00e9 2019, espera-se que os milion\u00e1rios controlem quase metade da riqueza pessoal do mundo, de acordo com o relat\u00f3rio 2015 Global Wealth do Boston Consulting Group.<\/p>\n\n\n\n Este n\u00edvel de desigualdade de riqueza dentro das na\u00e7\u00f5es individuais est\u00e1 em seu ponto mais alto da hist\u00f3ria humana. Ou, para usar uma palavra que a maioria dos especialistas ama, a desigualdade de riqueza de hoje \u00e9 sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n Al\u00e9m dos sentimentos gerais de injusti\u00e7a que esta desigualdade de riqueza pode fazer voc\u00ea sentir, o impacto real e a amea\u00e7a que esta realidade emergente est\u00e1 criando \u00e9 muito mais grave do que o que os pol\u00edticos prefeririam que voc\u00ea acreditasse. Para entender por que, vamos primeiro explorar algumas das causas que nos trouxeram a este ponto de ruptura.<\/p>\n\n\n\n Causas por tr\u00e1s da desigualdade de renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n Olhando mais profundamente para este abismo crescente de riqueza, descobrimos que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma causa a culpar. Em vez disso, \u00e9 uma multid\u00e3o de fatores que se desgastaram coletivamente com a promessa de empregos bem remunerados para as massas e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, com a viabilidade do pr\u00f3prio sonho americano. Para nossa discuss\u00e3o aqui, vamos fazer uma r\u00e1pida decomposi\u00e7\u00e3o de alguns desses fatores:<\/p>\n\n\n\n O livre com\u00e9rcio: Durante os anos 90 e in\u00edcio dos anos 2000, acordos de livre com\u00e9rcio como o NAFTA, a ASEAN e, sem d\u00favida, a Uni\u00e3o Europeia – est\u00e3o em voga entre a maioria dos ministros das finan\u00e7as do mundo. E no papel, este crescimento em popularidade \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel. O livre com\u00e9rcio reduz significativamente os custos para os exportadores de uma na\u00e7\u00e3o para vender seus produtos e servi\u00e7os internacionalmente. O lado negativo \u00e9 que ele tamb\u00e9m exp\u00f5e os neg\u00f3cios de uma na\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia internacional.<\/p>\n\n\n\n Empresas nacionais ineficientes ou atrasadas tecnologicamente (como as de pa\u00edses em desenvolvimento) ou empresas que empregavam um n\u00famero significativo de funcion\u00e1rios altamente remunerados (como as de pa\u00edses desenvolvidos) se viram incapazes de competir no mercado internacional rec\u00e9m-aberto. A partir de um n\u00edvel macro, enquanto a na\u00e7\u00e3o atra\u00edsse mais neg\u00f3cios e receita do que perdia por meio de empresas nacionais fracassadas, ent\u00e3o o livre com\u00e9rcio era um benef\u00edcio l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n O problema \u00e9 que, no n\u00edvel micro, os pa\u00edses desenvolvidos viram a maior parte de sua ind\u00fastria manufatureira entrar em colapso devido \u00e0 concorr\u00eancia internacional. E enquanto o n\u00famero de desempregados crescia, os lucros das maiores empresas do pa\u00eds (as empresas que eram grandes e sofisticadas o suficiente para competir e ganhar no palco internacional) estavam em um n\u00edvel sem precedentes. Naturalmente, estas empresas usaram uma parte de sua riqueza para pressionar os pol\u00edticos a manter ou expandir os acordos de livre com\u00e9rcio, apesar da perda de empregos bem remunerados para a outra metade da sociedade.<\/p>\n\n\n\n Terceiriza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que estamos falando de livre com\u00e9rcio, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o mencionar a terceiriza\u00e7\u00e3o. A medida que o livre com\u00e9rcio liberalizou os mercados internacionais, os avan\u00e7os na log\u00edstica e no transporte de cont\u00eaineres permitiram que empresas de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas relocalizassem sua base de fabrica\u00e7\u00e3o em pa\u00edses em desenvolvimento onde a m\u00e3o-de-obra era mais barata e as leis trabalhistas quase n\u00e3o existiam. Esta relocaliza\u00e7\u00e3o gerou bilh\u00f5es em economia de custos para as maiores multinacionais do mundo, mas a um custo alto para todos os demais.<\/p>\n\n\n\n Mais uma vez, de uma perspectiva macro, a terceiriza\u00e7\u00e3o foi uma vantagem para os consumidores do mundo desenvolvido, pois fez baixar o custo de quase tudo. Para a classe m\u00e9dia, isso reduziu seu custo de vida, o que pelo menos temporariamente entorpeceu a perda de seus empregos altamente remunerados.<\/p>\n\n\n\n Automa\u00e7\u00e3o. No cap\u00edtulo tr\u00eas desta s\u00e9rie, exploramos como a automa\u00e7\u00e3o \u00e9 a terceiriza\u00e7\u00e3o desta gera\u00e7\u00e3o. A um ritmo cada vez maior, sistemas de intelig\u00eancia artificial e m\u00e1quinas sofisticadas est\u00e3o se desfazendo em cada vez mais tarefas que antes eram do dom\u00ednio exclusivo dos seres humanos. Quer sejam trabalhos de colarinho azul como alvenaria ou de colarinho branco como com\u00e9rcio de a\u00e7\u00f5es, as empresas em geral est\u00e3o encontrando novas maneiras de aplicar m\u00e1quinas modernas no local de trabalho.<\/p>\n\n\n\n E como vamos explorar no cap\u00edtulo quatro, esta tend\u00eancia est\u00e1 afetando os trabalhadores no mundo em desenvolvimento, tanto quanto no mundo desenvolvido – e com consequ\u00eancias muito mais graves.<\/p>\n\n\n\n A retra\u00e7\u00e3o dos sindicatos. Como os empregadores est\u00e3o experimentando um boom na produtividade por d\u00f3lar gasto, primeiro gra\u00e7as \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o e agora \u00e0 automa\u00e7\u00e3o, os trabalhadores, em geral, t\u00eam muito menos alavancagem do que costumavam ter no mercado.<\/p>\n\n\n\n Nos EUA, a fabrica\u00e7\u00e3o de todos os tipos diminui muito e, com ela, sua outrora enorme base de membros do sindicato. Note-se que nos anos 30, um em cada tr\u00eas trabalhadores dos EUA fazia parte de um sindicato. Estes sindicatos protegiam os direitos dos trabalhadores e usavam seu poder de negocia\u00e7\u00e3o coletiva para aumentar os sal\u00e1rios necess\u00e1rios para criar a classe m\u00e9dia que est\u00e1 desaparecendo hoje. A partir de 2016, a filia\u00e7\u00e3o ao sindicato caiu para um em cada dez trabalhadores com poucos sinais de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n A ascens\u00e3o de especialistas. O outro lado da automa\u00e7\u00e3o \u00e9 que enquanto a IA e a rob\u00f3tica limitam o poder de negocia\u00e7\u00e3o e o n\u00famero de vagas para trabalhadores menos qualificados, os trabalhadores mais qualificados e altamente qualificados que a IA n\u00e3o pode (ainda) substituir podem negociar sal\u00e1rios muito maiores do que era poss\u00edvel antes. Por exemplo, os trabalhadores dos setores financeiro e de engenharia de software podem exigir sal\u00e1rios bem acima dos seis d\u00edgitos. O crescimento dos sal\u00e1rios para este nicho de profissionais e aqueles que os administram est\u00e1 contribuindo fortemente para o crescimento estat\u00edstico da desigualdade de riqueza.<\/p>\n\n\n\n A infla\u00e7\u00e3o se alimenta do sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Outro fator \u00e9 que o sal\u00e1rio-m\u00ednimo tem permanecido teimosamente estagnado em muitas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, com aumentos mandatados pelo governo geralmente ficando muito atr\u00e1s da taxa m\u00e9dia de infla\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, esta mesma infla\u00e7\u00e3o corroeu o valor real do sal\u00e1rio-m\u00ednimo, tornando cada vez mais dif\u00edcil para aqueles que se encontram no patamar mais baixo o caminho para a classe m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n Os impostos favorecem os ricos. Pode ser dif\u00edcil imaginar agora, mas nos anos 50, a taxa de imposto para os mais ricos dos Estados Unidos, era na faixa de 70%. Esta taxa de imposto tem estado em decl\u00ednio desde ent\u00e3o, com alguns dos cortes mais dram\u00e1ticos acontecendo durante o in\u00edcio dos anos 2000, incluindo cortes substanciais no imposto estadunidense. Como resultado, o um por cento cresceu exponencialmente sua riqueza a partir da renda de neg\u00f3cios, renda de capital e ganhos de capital, tudo isso enquanto repassava mais dessa riqueza de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Aumento da m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria. Finalmente, enquanto os empregos bem pagos da classe m\u00e9dia podem estar em decl\u00ednio, os empregos mal pagos e em tempo parcial est\u00e3o em ascens\u00e3o, especialmente no setor de servi\u00e7os. Al\u00e9m do sal\u00e1rio mais baixo, estes empregos de servi\u00e7os menos qualificados n\u00e3o oferecem quase os mesmos benef\u00edcios que os empregos em tempo integral. E a natureza prec\u00e1ria destes empregos torna extremamente dif\u00edcil economizar e subir na escala econ\u00f4mica. Pior ainda, como mais milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o empurradas para esta “gig economy” (ampla gama de trabalhadores freelancers. S\u00e3o pessoas em busca de flexibilidade e de valoriza\u00e7\u00e3o de seus servi\u00e7os) nos pr\u00f3ximos anos, isto criar\u00e1 ainda mais press\u00e3o para baixo sobre os sal\u00e1rios que j\u00e1 est\u00e3o sendo pagos por estes empregos de meio per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n De modo geral, os fatores descritos acima podem ser explicados como tend\u00eancias avan\u00e7adas pela m\u00e3o invis\u00edvel do capitalismo. Governos e empresas est\u00e3o simplesmente promovendo pol\u00edticas que promovam seus interesses comerciais e maximizem seu potencial de lucro. O problema \u00e9 que \u00e0 medida que a desigualdade de renda aumenta, graves fissuras come\u00e7am a se abrir em nosso tecido social, apodrecendo como uma ferida aberta.<\/p>\n\n\n\n Impacto econ\u00f4mico da desigualdade de renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n Desde a Segunda Guerra Mundial at\u00e9 o final dos anos 70, cada quinto (quintil) da distribui\u00e7\u00e3o de renda entre a popula\u00e7\u00e3o dos EUA cresceu junto de forma relativamente uniforme. Entretanto, ap\u00f3s os anos 70 (com uma breve exce\u00e7\u00e3o durante os anos Clinton), a distribui\u00e7\u00e3o de renda entre os diferentes segmentos da popula\u00e7\u00e3o dos EUA cresceu drasticamente. De fato, os primeiros 1% das fam\u00edlias viram um aumento de 278% em sua renda real ap\u00f3s os impostos entre 1979 e 2007, enquanto os 60% m\u00e9dios viram um aumento inferior a 40%.<\/p>\n\n\n\n Agora, o desafio com toda essa renda concentrada nas m\u00e3os de t\u00e3o poucos \u00e9 que ela reduz o consumo casual em toda a economia e a torna mais fr\u00e1gil em todos os setores. H\u00e1 algumas raz\u00f5es pelas quais isto acontece:<\/p>\n\n\n\n Primeiro, embora os ricos possam gastar mais com o consumo individual (ou seja, bens de varejo, alimentos, servi\u00e7os, etc.), eles n\u00e3o necessariamente compram mais do que a pessoa comum. Para um exemplo simplista, $1.000 divididos igualmente entre 10 pessoas pode resultar na compra de 10 pares de jeans a $100 cada ou $1.000 de atividade econ\u00f4mica. Enquanto isso, uma pessoa rica com esses mesmos $1.000 n\u00e3o precisa de 10 pares de jeans, pode querer comprar apenas tr\u00eas no m\u00e1ximo; e mesmo se cada um desses jeans custasse $200 ao inv\u00e9s de $100, ainda assim, cerca de $600 de atividade econ\u00f4mica contra $1.000.<\/p>\n\n\n\n A partir deste ponto, temos que considerar que como cada vez menos riqueza \u00e9 compartilhada entre a popula\u00e7\u00e3o, menos pessoas ter\u00e3o dinheiro suficiente para gastar com o consumo casual. Esta redu\u00e7\u00e3o nos gastos diminui a atividade econ\u00f4mica em um n\u00edvel macro.<\/p>\n\n\n\n \u00c9 claro que existe uma certa linha de base que as pessoas precisam gastar para viver. Se a renda das pessoas cair abaixo dessa linha de base, as pessoas n\u00e3o poder\u00e3o mais economizar para o futuro, e isso for\u00e7ar\u00e1 a classe m\u00e9dia (e os pobres que t\u00eam acesso ao cr\u00e9dito) a pedir empr\u00e9stimos al\u00e9m de suas possibilidades para tentar manter suas necessidades b\u00e1sicas de consumo.<\/p>\n\n\n\n O perigo \u00e9 que, uma vez que as finan\u00e7as da classe m\u00e9dia cheguem a este ponto, qualquer queda repentina na economia pode se tornar devastadora. As pessoas n\u00e3o ter\u00e3o a poupan\u00e7a necess\u00e1ria para se recuperar caso percam seus empregos, nem os bancos emprestar\u00e3o livremente dinheiro para aqueles que precisam pagar aluguel. Em outras palavras, uma pequena recess\u00e3o que teria sido uma luta suave h\u00e1 duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s poderia resultar em uma grande crise hoje (flashback de 2008-9).<\/p>\n\n\n\n O impacto social da desigualdade de renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n Embora as consequ\u00eancias econ\u00f4micas da desigualdade de renda possam ser assustadoras, o efeito corrosivo que ela pode ter sobre a sociedade pode ser muito pior. Um caso em quest\u00e3o \u00e9 o encolhimento da mobilidade de renda.<\/p>\n\n\n\n Como o n\u00famero e a qualidade dos empregos diminuem, a mobilidade de renda diminui com isso, tornando mais dif\u00edcil para os indiv\u00edduos e seus filhos se elevarem acima da classe econ\u00f4mica e social em que nasceram. Com o tempo, isto tem o potencial de cimentar estratos sociais na sociedade, onde os ricos se assemelham \u00e0 nobreza europeia de antigamente, e onde as oportunidades de vida das pessoas s\u00e3o determinadas mais por sua heran\u00e7a do que por seu talento ou realiza\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n\n\n\n Dado at\u00e9 mesmo o tempo, esta divis\u00e3o social pode se tornar f\u00edsica com o rico enclausurado longe dos pobres por tr\u00e1s dos condom\u00ednios fechados e das for\u00e7as de seguran\u00e7a privadas. Isto pode ent\u00e3o levar a divis\u00f5es psicol\u00f3gicas onde os ricos come\u00e7am a sentir menos empatia e compreens\u00e3o pelos pobres, alguns acreditando que eles s\u00e3o inerentemente melhores do que eles. A partir de ent\u00e3o, este \u00faltimo fen\u00f4meno se tornou mais vis\u00edvel culturalmente com o aumento do termo pejorativo “privil\u00e9gio”. Este termo se aplica a como as crian\u00e7as criadas por fam\u00edlias de maior renda t\u00eam inerentemente mais acesso a uma melhor escolaridade e a redes sociais exclusivas que lhes permitem ter sucesso mais tarde na vida.<\/p>\n\n\n\n Mas vamos cavar mais fundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n \u00c0 medida que a taxa de desemprego e subemprego cresce entre as faixas de renda mais baixas:<\/p>\n\n\n\n – O que a sociedade far\u00e1 com os milh\u00f5es de homens e mulheres em idade de trabalho que obt\u00eam grande parte de sua autoestima a partir do emprego?<\/p>\n\n\n\n – Como vamos policiar todas as m\u00e3os ociosas e desesperadas que possam estar motivadas a recorrer a atividades il\u00edcitas para obter renda e autovaloriza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n – Como os pais e seus filhos adultos poder\u00e3o pagar uma educa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-secund\u00e1ria – uma ferramenta cr\u00edtica para permanecer competitivos no mercado de trabalho de hoje?<\/p>\n\n\n\n De uma perspectiva hist\u00f3rica, o aumento das taxas de pobreza leva ao aumento das taxas de evas\u00e3o escolar, das taxas de gravidez na adolesc\u00eancia e at\u00e9 mesmo ao aumento das taxas de obesidade. Pior ainda, em tempos de estresse econ\u00f4mico, as pessoas voltam a um sentimento de tribalismo, onde encontram apoio de pessoas que s\u00e3o “como elas mesmas”. Isto pode significar a gravita\u00e7\u00e3o de la\u00e7os familiares, culturais, religiosos ou organizacionais (por exemplo, sindicatos ou mesmo gangues) \u00e0s custas de todos os outros.<\/p>\n\n\n\n Para entender porque este tribalismo \u00e9 t\u00e3o perigoso, o importante a ter em mente \u00e9 que a desigualdade, incluindo a desigualdade de renda, \u00e9 uma parte natural da vida e, em alguns casos, ben\u00e9fica para encorajar o crescimento e a competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel entre pessoas e empresas. Entretanto, a aceita\u00e7\u00e3o social da desigualdade come\u00e7a a colapsar quando as pessoas come\u00e7am a perder a esperan\u00e7a em sua capacidade de competir de forma justa, em sua capacidade de subir a escada do sucesso ao lado do pr\u00f3ximo. Sem a cenoura da mobilidade social (de renda), as pessoas come\u00e7am a sentir que as fichas est\u00e3o empilhadas contra elas, que o sistema \u00e9 manipulado, que h\u00e1 pessoas trabalhando ativamente contra seus interesses. Historicamente, este tipo de sentimento leva a caminhos muito obscuros.<\/p>\n\n\n\n Desvio pol\u00edtico da desigualdade de renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n De uma perspectiva pol\u00edtica, a corrup\u00e7\u00e3o que a desigualdade de riqueza pode produzir tem sido bastante bem documentada ao longo da hist\u00f3ria. Quando a riqueza se concentra nas m\u00e3os de muito poucos, esses poucos acabam ganhando mais influ\u00eancia sobre os partidos pol\u00edticos. Os pol\u00edticos recorrem aos ricos para obter financiamento, e os ricos recorrem aos pol\u00edticos para obter favores.<\/p>\n\n\n\n Obviamente, estes neg\u00f3cios de porta traseira s\u00e3o injustos, anti\u00e9ticos e, em muitos casos, ilegais. Mas, em geral, a sociedade tamb\u00e9m tem tolerado estes apertos de m\u00e3o secretos com uma esp\u00e9cie de apatia desiludida. E ainda assim, as areias parecem estar se deslocando sob nossos p\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n Como observado na se\u00e7\u00e3o anterior, os tempos de extrema fragilidade econ\u00f4mica e de limitada mobilidade de renda podem levar os eleitores a se sentirem vulner\u00e1veis e vitimizados. <\/p>\n\n\n\n \u00c9 neste momento que o populismo entra em marcha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Diante do decl\u00ednio das oportunidades econ\u00f4micas para as massas, essas mesmas massas exigir\u00e3o solu\u00e7\u00f5es radicais para enfrentar sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica – elas at\u00e9 votar\u00e3o em candidatos pol\u00edticos marginais que prometem agir rapidamente, muitas vezes com solu\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n\n\n\n O exemplo irrefletido que a maioria dos historiadores usa ao explicar estes deslizamentos c\u00edclicos no populismo \u00e9 a ascens\u00e3o do nazismo. Ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, as for\u00e7as aliadas colocaram extremas dificuldades econ\u00f4micas sobre a popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 para extrair repara\u00e7\u00f5es por todos os danos causados durante a guerra. Infelizmente, as pesadas repara\u00e7\u00f5es deixariam a maioria dos alem\u00e3es na pobreza abjeta, potencialmente para as gera\u00e7\u00f5es – ou seja, at\u00e9 o surgimento de um pol\u00edtico marginal (Hitler) prometendo acabar com todas as repara\u00e7\u00f5es, reconstruir o orgulho alem\u00e3o, e reconstruir a pr\u00f3pria Alemanha. Todos n\u00f3s sabemos como isso acabou.<\/p>\n\n\n\n O desafio que enfrentamos hoje (2017) \u00e9 que muitas das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que os alem\u00e3es foram for\u00e7ados a suportar ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial est\u00e3o agora gradualmente sendo sentidas pela maioria das na\u00e7\u00f5es ao redor do mundo. Como resultado, estamos assistindo a um ressurgimento global de pol\u00edticos e partidos populistas sendo eleitos para o poder na Europa, \u00c1sia e, sim, na Am\u00e9rica. Embora nenhum desses l\u00edderes populistas dos tempos modernos esteja t\u00e3o mal quanto Hitler e o partido nazista, todos eles est\u00e3o ganhando terreno ao propor solu\u00e7\u00f5es extremas para quest\u00f5es complexas e sist\u00eamicas que a popula\u00e7\u00e3o em geral est\u00e1 desesperada para resolver.<\/p>\n\n\n\n Infelizmente, as raz\u00f5es anteriormente mencionadas por tr\u00e1s da desigualdade de renda s\u00f3 v\u00e3o piorar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Isto significa que o populismo est\u00e1 aqui para ficar. Pior, significa tamb\u00e9m que nosso futuro sistema econ\u00f4mico est\u00e1 destinado a ser perturbado por pol\u00edticos que tomar\u00e3o decis\u00f5es baseadas na raiva p\u00fablica e n\u00e3o na prud\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n Muito similar ao que est\u00e1 acontecendo no Brasil em 2021.<\/strong><\/p>\n\n\n\n … Pelo lado positivo, pelo menos todas estas m\u00e1s not\u00edcias tornar\u00e3o o resto desta s\u00e9rie sobre o Futuro da Economia mais divertida. Os temas das pr\u00f3ximas s\u00e9ries est\u00e3o abaixo. Acompanhe e aproveite!<\/p>\n\n\n\n O futuro da economia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n Terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial causa surto de defla\u00e7\u00e3o: O futuro da economia \u2013 Parte 2<\/a><\/p>\n\n\n\n A automa\u00e7\u00e3o \u00e9 a nova terceiriza\u00e7\u00e3o: O futuro da economia \u2013 Parte 3<\/a><\/p>\n\n\n\n Futuro sistema econ\u00f4mico colapsa das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento: O futuro da economia \u2013 Parte 4<\/a><\/p>\n\n\n\n A Renda B\u00e1sica Universal cura o desemprego em massa: O futuro da economia – Parte 5<\/a><\/p>\n\n\n\n Terapias de longevidade para estabilizar as economias mundiais: O futuro da economia \u2013 Parte 6<\/a><\/p>\n\n\n\n O futuro da tributa\u00e7\u00e3o: O futuro da economia \u2013 Parte 7<\/a><\/p>\n\n\n\n